Tipos de Cantiga

Os trovadores cultivavam dois tipos de cantigas lírico-amorosas: a cantiga de amor e a cantiga de amigo. A cantiga de amor apresentava uma declaração amorosa de um homem para uma mulher; a cantiga de amigo consistia na declaração amorosa de uma mulher para um homem.
Ao lado das cantigas amorosas tinha-se um outro tipo de cantigas, as satíricas, subdivididas em cantigas de escárnio, onde a pessoa visada era ridicularizada, e as cantigas de maldizer, com o mesmo propósito.

Cantiga de Amor

As cantigas de amor, direcionadas do homem para a mulher, retratavam o sentimento amoroso masculino. Consistiam em cantigas lamentativas, de um amor declarado inatingível. Nas cantigas de amor o trovador se dirigia com vassalagem amorosa à dama que adorava, tratando-a de “mia dona” ou “mia senhor”. Mostravam uma louvação constante da beleza da mulher. Embora originárias da Provença, as cantigas de amor portuguesas ganharam nova dimensão e maior sinceridade.
A estrutura da cantiga de amor seguia sempre um determinado padrão: as estrofes sempre tinham um número determinado de versos (geralmente entre dois e cinco), apresentavam, muitas vezes, estribilho e refrão e a métrica era bem marcada. À repetição do estribilho e do refrão, com temática única, dá-se o nome de paralelismo.

Cantigas de Amigo

Sendo mais antigas do que as de amor, eram mais espontâneas e menos elaboradas do que as cantigas de amor e apresentavam origem autóctone. O homem amado recebia o tratamento de “meu amigo”. Embora escritas por um trovador, o eu lírico era uma mulher apaixonada. O tema consistia, geralmente, no choro e lamento de uma mulher do povo com a ausência de seu amado, que a abandonou para lutar como cavaleiro ou por outra mulher. As cantigas de amigo traziam a presença constante de um refrão e paralelismo (A – B - refrão, A – B - refrão, B – C - refrão, B – C - refrão, C – D - refrão, C – D - refrão) e, de acordo com os assuntos de que tratavam, poderiam ser classificadas em:

* pastorelas - assuntos campestres, diálogo com a naatureza.
* romarias - assuntos relacionadoss às festas religiosas.
* barcarolas - assuntos relacionados ao mar, rios e lagos.
* bailias - assuntos ligados à dança.

Outro aspecto interessante das cantigas de amigo é que, além da mulher que sofria, apresentavam outros personagens que serviam de confidentes, como a mãe, uma amiga ou um elemento da natureza personificado, montando-se uma estrutura de diálogo.
A cantiga de amigo apresentava um aspecto mais dramático do que lírico, porque, na produção poética primitiva de qualquer povo, o gênero lírico encontra-se vinculado ao narrativo e ao dramático.

Cantigas de Escárnio e Maldizer

Podem ser consideradas como painéis do cotidiano. Podiam ser escritas em prosa ou em verso e sempre "gozavam" de alguém: de uma pessoa decadente, de uma pessoa que passou por um problema amoroso, uma mulher namoradeira, os representantes do clero que acumulavam riquezas ou tinham amantes e todos os maus profissionais. Apresentavam uma linguagem pouco criativa e bastante descuidada, com palavras de duplo sentido, a ironia e a hipérbole, além de gírias e palavrões.
As cantigas de escárnio traziam uma linguagem mais velada do que as cantigas de maldizer, que apresentavam uma sátira mais directa, sem nenhuma camuflagem. A diferença entre ambas, no entanto, nem sempre é muito clara.